
Pesquisadores do Programa de Pesquisa em Biodiversidade do Semiárido (PPBio Semiárido) estão em campo esta semana na região de Canudos, no norte da Bahia, realizando uma expedição científica que investiga a diversidade biológica de um dos territórios mais emblemáticos da caatinga até o dia 10 de fevereiro. A atividade, conduzida pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), ocorre no Parque Estadual de Canudos, na Estação Biológica de Canudos e em ambientes aquáticos da região, como o Rio Vaza Barris.
Ao longo de seis dias de trabalho, 19 pesquisadores desenvolvem coletas e observações de plantas, mamíferos, aves, peixes e formigas, contemplando diferentes formações vegetais da caatinga. A expedição também inclui estudos sobre o papel de aves e morcegos como potenciais vetores de agentes causadores de doenças, ampliando o entendimento das relações entre biodiversidade, saúde ambiental e saúde pública. De acordo com o biólogo e pesquisador Evandro do Nascimento, a iniciativa busca gerar, sistematizar e disponibilizar informações científicas que contribuam para a gestão ambiental e o fortalecimento de estratégias de preservação do bioma. “As coletas em campo ajudam a revelar a complexidade biológica da caatinga, especialmente a diversidade de plantas e animais ainda pouco documentada.” Os dados produzidos passam a integrar bases científicas que subsidiam políticas públicas e ações de conservação.
Um dos principais pontos de pesquisa é a Estação Ecológica de Canudos, unidade de conservação de proteção integral criada para preservar amostras representativas dos ecossistemas da caatinga e apoiar estudos científicos de longo prazo. A área possui formações vegetais típicas do semiárido e é considerada estratégica para o monitoramento ambiental, por manter trechos relativamente preservados do bioma.
A expedição também ocorre no Parque Estadual de Canudos, unidade de conservação criada em 1986, localizada a cerca de 420 quilômetros de Salvador. Com área de 1.321 hectares e cortado pelo Rio Vaza Barris, o parque abriga o sítio arqueológico do antigo Arraial de Canudos, reunindo patrimônio histórico e diversidade biológica em um mesmo território.
A caatinga ocupa a maior parte da região semiárida do Nordeste, abrangendo mais de 1 milhão de quilômetros quadrados em nove estados nordestinos e no norte de Minas Gerais. Durante muito tempo, foi retratada como um bioma pobre em espécies e com baixa prioridade para conservação. No entanto, estudos recentes apontam como um ambiente singular no planeta, com grande variedade de formações vegetais, alto número de espécies raras e endêmicas e uma diversidade ainda insuficientemente conhecida, estima-se que apenas cerca de 40% de sua biodiversidade tenha sido estudada.
Aristeu Viera, pesquisador, destaca a importância científica das parcerias em torno da expedição, como os apoios da Estação Biológica de Canudos e do Campus Avançado da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), com logística e permissão de coleta e de estudos nas áreas de conservação que gerenciam, a Estação Biológica de Canudos e o Parque Estadual de Canudos, respectivamente. Segundo ele, conhecer as espécies e seu estado de conservação é fundamental para ajudar na sua preservação. Canudos tem um exemplo muito claro disso: a arara-azul-de-Lear (Anodorhynchus leari), que tinha uma população local de apenas 50 indivíduos em 1990. Após mais de três décadas de ações de proteção da espécie, hoje há cerca de 2.200 araras livres na natureza. Criado em 2004, o PPBio é uma iniciativa federal que promove pesquisas, formação de recursos humanos e geração de conhecimento sobre a biodiversidade brasileira. A presença dos pesquisadores em Canudos reforça o esforço contínuo de ampliar informações científicas sobre a Caatinga e apoiar políticas públicas voltadas à conservação dos biomas nacionais, aproximando a ciência da sociedade e do território.



